Coworking, escritório próprio ou casa: o que compensa?

A renda é só uma parte do custo de um escritório. Comparamos as três opções a pensar em freelancers e pequenas empresas, sem números inventados.

Em resumo

Trabalhar em casa tem o custo direto mais baixo, mas mistura vida pessoal e trabalho e pode isolar. Um escritório próprio dá controlo total, mas traz renda, caução, contas, mobiliário e contratos longos. O coworking fica no meio: preço mensal fechado, sem investimento inicial e com liberdade para mudar de plano.

Para quem trabalha por conta própria ou tem uma empresa pequena, a pergunta aparece mais cedo ou mais tarde, muitas vezes num dia em que a máquina da roupa está a centrifugar ao lado da secretária: continuo em casa, arrendo um escritório ou vou para um coworking? Não há uma resposta que sirva a toda a gente. Depende do trabalho que faz, do orçamento e da forma como trabalha melhor.

Trabalhar em casa

À partida, é a opção mais barata. Não há renda extra, não há deslocações e o horário é seu.

Os custos existem, só que estão escondidos nas contas de casa: mais luz, mais aquecimento, uma internet que aguente videochamadas, uma cadeira e uma secretária decentes. E há custos que não se pagam em euros. A fronteira entre casa e trabalho vai-se apagando, as interrupções são mais fáceis e há semanas em que passa dias sem falar com ninguém de fora. Receber um cliente na sala de estar também nem sempre é possível, ou desejável.

Há ainda uma questão fiscal. No regime simplificado de IRS, parte dos rendimentos de prestações de serviços tem de ser justificada com despesas, e o Código do IRS diz que as despesas com imóveis, energia, água ou comunicações afetas só parcialmente à atividade contam apenas em 25% (artigo 31.º, n.º 14). É o caso típico de quem trabalha em casa. Confirme com o contabilista como isto se aplica à sua situação.

Escritório próprio

No extremo oposto está o escritório próprio, que dá controlo total: o espaço é seu, decora-o como quer e recebe quem quiser. Faz sentido quando a equipa já tem algum tamanho ou quando o trabalho precisa de um espaço específico.

O problema é que a renda é só a primeira linha da conta. Um escritório implica normalmente:

  • caução e rendas adiantadas no início, e contratos de vários anos com pré-avisos longos;
  • contratos de luz, água e internet em nome da empresa;
  • limpeza, manutenção, pequenas reparações e seguro do espaço;
  • mobiliário, equipamento e, muitas vezes, obras de adaptação.

Antes de assinar, some tudo isto a 12 meses e compare com o que espera faturar. As rendas variam muito de zona para zona e de ano para ano, por isso trabalhe com propostas reais da zona onde procura, não com médias genéricas.

Coworking

O coworking fica entre as duas opções. É um espaço partilhado onde paga uma mensalidade pelo lugar que usa, e o preço costuma incluir luz, internet, limpeza e café, o que significa que sabe à partida quanto vai gastar. Não há investimento inicial em mobiliário nem contratos de vários anos, e pode subir ou descer de plano conforme o trabalho aperta ou alivia. Além disso, separa casa e trabalho, tem gente à volta e salas de reuniões para receber clientes.

Também tem desvantagens, claro. O espaço é partilhado, não controla totalmente o ambiente e, nos planos flexíveis, o lugar nem sempre é o mesmo. Para chamadas longas ou trabalho confidencial, veja se há sala de reuniões disponível.

Um esclarecimento útil: usar um coworking não muda o seu domicílio fiscal. Para uma pessoa singular, a Lei Geral Tributária define-o como a residência habitual.

Comparação lado a lado

CasaEscritório próprioCoworking
Custo mensalBaixo, mas disperso nas contas de casaAlto: renda mais todas as contasFixo e conhecido à partida
Investimento inicialSecretária e cadeiraCaução, mobiliário, equipamento, obrasPraticamente nenhum
CompromissoNenhumContratos de vários anosMensal ou anual
Luz, internet, limpezaPaga e trata vocêPaga e trata vocêNormalmente incluídos
FocoDepende da casa e da famíliaAltoBom, com algum ruído de fundo
IsolamentoElevadoDepende da equipaBaixo
Receber clientesDifícilSimSim, em sala de reuniões
FlexibilidadeTotalBaixaAlta

Como decidir

Comece pela conta de 12 meses de cada opção, com todos os custos e não só a renda. Depois pense, com honestidade, em quantos dias por semana precisa mesmo de sair de casa e em quantas reuniões presenciais tem por mês. Duas reuniões por ano e duas por semana são realidades muito diferentes. Por fim, experimente antes de decidir: um dia passado num coworking diz mais do que qualquer comparação no papel.

O exemplo da My Desk

Na My Desk, no centro da Maia, o plano Nómada custa 95 €/mês (ou 950 €/ano) e dá uma secretária partilhada das 9h às 18h, com sede social e correio incluídos. Quem quer lugar fixo e acesso 24 horas tem o Residente, a 150 €/mês ou 1500 €/ano. Para experimentar, o dia de cowork custa 20 €. Internet de fibra a 500 Mbps, luz, limpeza, água e café estão incluídos, e os preços são isentos de IVA ao abrigo do artigo 53.º do Código do IVA.

Perguntas frequentes

Trabalhar em casa é sempre mais barato?

No custo direto, quase sempre. Mas as despesas de casa usadas só em parte na atividade contam apenas em 25% no regime simplificado de IRS, e há custos de foco e isolamento que não aparecem nas contas.

Que custos tem um escritório além da renda?

Caução e rendas adiantadas, contratos de luz, água e internet, limpeza, manutenção, mobiliário, seguro e, muitas vezes, obras de adaptação. A isto junta-se o compromisso de contratos de vários anos.

Usar um coworking muda o meu domicílio fiscal?

Não. Para uma pessoa singular, o domicílio fiscal é a residência habitual. Uma sociedade pode usar a morada do coworking como sede, se o plano o incluir.

Posso experimentar um coworking antes de assinar contrato?

Na maioria dos espaços, sim, com passes diários. Na My Desk o dia de cowork custa 20 €, das 9h às 18h.

Fontes

Este artigo é informativo e não substitui aconselhamento jurídico ou fiscal. Confirme sempre com o seu contabilista.